29 de dezembro de 2010

A ausência de boas maneiras não abre portas a ninguém

Hoje estou deprimida e quando me sinto assim, abatida, dá-me para implicar com tudo e com mais alguma coisa. Só por isso, hoje apetece-me partilhar convosco alguns episódios que considero dignos de registo.
Quem utiliza os transportes públicos, como eu, com certeza saberá a que me refiro.
Um dos transportes em que viajo é o barco. A travessia do rio é feita em, aproximadamente, 20 minutos. Considerando que cada vez mais o "tempo" é um bem escasso e precioso, os utentes deste serviço utilizam estes momentos de forma muito variada.
Uns lêem (algumas senhoras optam por romances e pelas revistas cor-de-rosa, a maior parte dos homens prefere os jornais), outros aproveitam para pôr em dia a contabilidade doméstica (verificam-se extractos bancários e facturas para pagamento), alguns estudam (são imensos os estudantes que aproveitam estes períodos de tempo para rever algumas matérias). Os mais jovens preferem os jogos disponibilizados nos telemóveis ou ouvir música. Há, também, quem aproveite para retocar a maquilhagem. Enfim, situações que me parecem absolutamente normais e aceitáveis. 
Eu ficaria muito feliz se estes momentos de "entretenimento" se restringissem  a estas actividades, mas a verdade é que a realidade é outra bem diferente. Faço este trajecto acerca de vinte anos e confesso-vos que já vi situações absolutamente inacreditáveis.
Dou-vos dois exemplos. Um senhor que, em pleno inverno e por estar completamente embriagado, resolveu despir-se a meio do percurso e, em pelote, tentou atirar-se ao rio.
Outros dois cavalheiros foram detidos pela Polícia Marítima, no interior do barco e a meio do percurso. Os passageiros pensaram que havia algum explosivo a bordo. Isto aconteceu na altura do atentado às torres gémeas, em 11 de Setembro. Um verdadeiro espectáculo!
Creio que poderia estar aqui horas a fio a descrever as peripécias mais hilariantes, mas entendo que devo limitar-me ao que realmente interessa.
Imagine-se ainda meio ensonado. Às primeiras horas da manhã, entra no barco e instala-se confortavelmente. Abre um livro e inicia a leitura. Ao seu lado estão imensas pessoas devidamente acomodadas. Toca um telemóvel. Alguém atende e resolve estar cerca de dez minutos a conversar, num tom de voz que permite que os 1500 ocupantes do barco oiçam um diálogo sobre as situações mais estúpidas que possa imaginar.
Num outro banco alguém abre uma lancheira, absolutamente convencido que está num piquenique. Às tantas dá por si a inalar (mesmo sem que o tenha desejado), um aroma tutti frutti de um qualquer iogurte; segue-se uma banana (que por acaso até nem tem um cheiro nada enjoativo);  depois um rissol ou um folhado carregado de gordura.
Por esta altura, já tem o estômago completamente às voltas.
Depois de tudo isto e para finalizar, nada melhor do que uma pastilha elástica. Ah, é de salientar que todo este processo de "trituração" dos alimentos não é feito com a boca fechada, portanto, ao cheiro intenso dos alimentos acresce o ruído que fazem a mastigá-los.
É de bradar aos céus. Tenho de confessar que nada me irrita mais do que estar a ouvir alguém a mastigar para uma sala inteira ou a fazer "bolas" com a pastilha elástica.
Gostaria que a descrição destes momentos divertidos (?!?) terminasse por aqui? Lamento desiludi-lo.
Já deve ter percebido que, numa situação destas, já teria optado por fechar o livro que gostaria de ter lido durante a viagem.
O seu sistema nervoso está caótico, mas ainda lhe restam mais dez minutos de viagem.
Alguém decide que o melhor local para cortar as unhas é... o barco! Consegue ouvir o "tic-tic-tic" do corta-unhas?
Mas há pior, acredite. Nesta época do ano é frequente as pessoas estarem engripadas.
Consegue imaginar-se setado ao lado de alguém que tosse e espirra para cima de si e que desconhece que existem lenços de papel? É de fugir. Francamente!!!
Condiderando que ainda estamos na época natalícia, estou a pensar sugerir aos responsáveis pelas empresas de transporte de passageiros que disponibilizem, aos utentes, um livrinho barato e muito útil...
O pequeno livro da Etiqueta e Bom Senso
Autora: Maria João Saraiva de Menezes

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