11 de dezembro de 2010

O comboio da vida...

Há algum tempo atrás li um livro que comparava a vida a uma viagem de comboio. Uma leitura extremamente interessante, quando bem interpretada...
A vida não é mais que uma viagem de comboio. Repleta de embarques e desembarques, salpicada por acidentes, surpresas agradáveis em algumas estações e profundas tristezas noutras.

Ao nascer, entramos no comboio e encontramo-nos com algumas pessoas que acreditamos... estarão sempre connosco durante a viagem: os nossos PAIS.
Lamentavelmente, a verdade é outra. Eles sairão numa qualquer estação deixando-nos órfãos do seu carinho, amizade e companhia insubstituível. Apesar disso, nada impede que integrem a viagem outras pessoas que serão muito especiais para nós. Chegam os nossos irmãos, amigos e... esses deslumbrantes amores.
Entre todas as pessoas que apanham o comboio, também haverá quem o faça como um simples passeio. Alguns só encontrarão tristeza na viagem... Outros haverá que, circulando pelo comboio, estarão sempre prontos a ajudar quem precisa. Muitos, quando descem do comboio, deixam uma permanente saudade... Alguns passam tão despercebidos que nem reparámos que desocuparam o lugar.
Às vezes, é curioso constatar que alguns passageiros, que nos são tão queridos, se instalam noutras carruagens, diferentes da nossa. Temos que continuar o trajecto separados deles mas, nada nos impede que, durante a viagem, percorramos a nossa carruagem com alguma dificuldade e cheguemos até eles... o que é lamentável é que já não possamos sentar-nos ao seu lado, por estar outra pessoa a ocupar o lugar.

Não importa, a viagem faz-se deste modo: cheia de desafios, sonhos, fantasias, esperas e despedidas... mas nunca de retornos.
Então, façamos esta viagem da melhor maneira possível... tratemos de nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando, em cada um, o seu melhor. Recordemos sempre que, em algum ponto do trajecto, eles poderão hesitar ou vacilar e, provavelmente, vamos precisar de os entender... como nós também vacilamos muitas vezes... haverá sempre alguém que nos compreenda.
Por fim, o grande mistério é que nunca saberemos em que estação termina a nossa viagem e, muito menos, onde sairão os nossos companheiros, nem mesmo aqueles que estão sentados ao nosso lado. Fico a pensar se, quando sair do comboio, sentirei nostalgia... acredito que sim.
Separar-me de alguns amigos com quem fiz a viagem será, certamente, doloroso. Deixar que os meus filhos sigam sozinhos será muito triste mas, agarro-me à esperança de que, em algum momento, chegarei à estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram. O que me fará feliz será pensar que colaborei para que a sua bagagem crescesse e se tornasse valiosa.
Meu amigo, façamos com que a nossa permanência neste comboio seja tranquila e, acima de tudo que possamos, no seu terminus, ter consciência de que valeu a pena. Esforçemo-nos para que, quando chegar o momento de desembarcar, o nosso lugar vazio deixe saudades e lindas recordações a todos os que prosseguem a viagem. A todos os que integram o meu comboio, desejo... uma viagem feliz!!!!

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